O sonho de criança...

Já quis ser muita coisa, uma das coisas que queria ser era arqueólogo. Não deu certo, mas seria incrível! Imaginava-me em expedições por pirâmides egípcias e por matas na Romênia, explorando o deserto do Saara e as geleiras da Groenlândia. E não foi um sonho influenciado por Indiana Jones ou outra ficção relacionada ao tema, mas porque desde criança tenho uma curiosidade impossível e vontade de descobrir os mistérios que ninguém mais consegue ver.
Por essa razão, eu exploraria lugares onde ninguém mais foi, claro, mas minha principal vontade era entrar nas tumbas e nos sítios já explorados e encontrar tudo que os antigos arqueólogos e cientistas descuidados deixaram passar. E por sentir sempre que eles deixavam algo pra trás, eu pensava qual era a razão pra isso. Os adultos, para mim, sempre foram muito descuidados. Ainda somos, agora que sou adulto sei ainda melhor.

O olhar e a curiosidade das crianças são puras e livres de filtros que vamos construindo de acordo com as "podas" que recebemos quando estamos crescendo. Por mais que você fosse descobrir por experiência que dentro de uma pedra só tem mais pedra e que é muito difícil ficar abrindo pedra por pedra só para ter certeza de que só tem mesmo pedras dentro das pedras, a criança é teimosa além de curiosa e não tem nada a perder, nem mede seu tempo em cifras, então ela emprega seu tempo na descoberta dizendo: "E se testarmos todas menos uma e, exatamente nessa última, estiver um grande diamante?". Sempre pensei que os arqueólogos deveriam levar uma criança junto com eles em suas expedições e os cientistas deveriam checar o resultado de suas pesquisas com a experiência curiosa de uma criança, que faz perguntas tão absurdamente brilhantes, com suas teorias improváveis, que o resultado final poderia ser muito mais completo. Mas quando cresci, percebi com mais e mais pesar que os adultos não reconhecem o intelecto das crianças.

A desobediência das crianças, na maioria das vezes tem seus fundamentos. Os meus eram sempre porque havia algo muito urgente que eu deveria fazer, para salvar o mundo, ou salvar o jogo no vídeo game. As crianças salvam o dia, o mundo, o seu herói o tempo todo. Se não é no virtual é na imaginação. As crianças sempre estão pensando em tudo que ocorre a sua volta e isso é muito importante.
Quando uma criança diz: "Tenho uma ideia". Ouça sua ideia! Ela ficou muito tempo pensando sobre aquilo. Nenhuma criança fala nada da boca pra fora e você reconhece isso em seu olhar. Ela fala com a certeza da inocência. Isso nunca deve ser ignorado. Pode ser que a ideia dela seja colocar uma amoeba para fazer a forma da chave do cadeado e assim você consegue abrir e entrar em casa quando você esquece a sua chave. Bem, outras vezes pode ser simplesmente uma ideia carinhosa para tentar te ajudar, mesmo que não seja efetiva, mas ela vai até tentar usar magia para abrir o cadeado para te ajudar. A criança está se esforçando e pensando numa solução, enquanto você só consegue pensar que está cansado e quase chora. A criança não desiste, então você também não deveria, entende?

O que meu arqueólogo mirim, que ainda vive dentro de mim, me ensinou é que eu tenho que manter meu olhar atento para as coisas que os adultos ignoram porque é naquela última pedra que está minha sorte, é naquela porta que não conseguimos abrir que está o que viemos buscar nessa tumba úmida e cheia de teias de aranha. Ela grita pra mim: "Não Desista!!!" E eu não desisto. Então não desista nunca, nem deixe sua criança fugir do adulto que você se tornou.

O sonho de uma criança - Imagem da Internet sem autor reconhecido

Sozinho...

Estou na solidão.
Não é um lugar só.
Uma escolha ou sensação.
Estou na solidão.

Significa uma situação,
Um lugar em mim.
Espero alguém me salvar.
Entretanto, estou só.

E quem não está?
E quem vai me tirar daqui?
Qualquer um, alguém?
Qualquer um?

Não... desculpe, mas estou só.
Não é por opção, mas por falta!
Falta-me muito. Falta muito.
Falta quem não se deixe faltar.

Falta papo, falta coragem.
Falta estímulo, falta prioridade.
É tanta falta que já nem sinto...
É tanta falta, que tenho a mim.

Sozinho.

Sem desespero, faça um novo país...

Todo o povo está desesperado para estar certo.
Momento de parar e pensar. Entender o que se passa e perceber as intenções. Nada é tão preto no branco como se faz pensar e cada lado defende seus ideais como se fosse a mais pura das canções dos anjos mensageiros.
Não é hora de ceder, mas de investigar e aproveitar que nada está definido para reivindicar a mudança necessária, sem deixar que outros decidam por nós.
Hora de dizer basta do que continua a ser feito errado e acertar finalmente.
Vamos mudar o mundo.


Comunicação é a nossa salvação...

Faz bastante tempo que bato na mesma tecla por aqui no Umikizu e com todas as pessoas que eu encontro e com quem converso, de que temos que nos unir, independente das nossas diferentes, somos seres humanos e mais que isso, somos seres racionais, capazes de muito mais progresso se um ajudar e compreender o outro. Tive a felicidade de assistir a palestra do senhor Uri Hasson, neurocientista russo que estudou as reações do cérebro sobre os efeitos da nossa comunicação verbal e explica de forma bem simples esse processo. Assista (Em inglês).

 

Quando Uri fala sobre a influência das diferentes perspectivas que temos sobre determinada mensagem, por mais que o locutor fale a mesma língua, o receptor interpreta a mensagem com a sua perspectiva viciada e nesse caso, a comunicação é ineficaz ou muitas vezes não acontece como deveria. (como no caso da mulher se era fiel ou infiel ou sobre as diferentes informações que recebemos todos os dias da mídia).

Somos influenciados sempre, mas a racionalidade pode resolver esse problema, controlando as preconcepções para que ao menos haja possibilidade de diálogo e que o interlocutor tenha a oportunidade de expor sua mensagem e que ela seja recebida sem barreiras. Por mais que não concordemos com uma informação, não podemos simplesmente barrar a comunicação, mas buscar entender sua razão e então argumentar num debate sobre o assunto. Essa é a melhor forma de tornar nossa comunicação mais eficaz e de unir as pessoas, além de acabar com preconceitos.

Sei que muitas pessoas ainda tem um longo caminho a percorrer e que, dependendo da personalidade, as pessoas simplesmente não querem ouvir argumentações ou participar de debates, querem simplesmente estar certas. Na minha opinião, penso que essas pessoas não são racionais, agem com a emoção e impõem uma falsa autoridade. Porém no nosso mundo ainda hierárquico, em que sua posição social ou econômica definem quem tem razão, temos um longo caminho pela frente para enfim sermos mais receptivos.

Por isso eu estou sempre tentando articular essa mensagem e principalmente deixar claro que isso é sim possível, contanto que consigamos disseminar essa ideia para mais e mais pessoas, deixando que a razão seja usada no lugar da emoção. As pessoas tem de perder a preguiça de participar de debates e desenvolver o raciocínio e a humildade para que tenhamos mais e mais entendimento e que nossas mensagens não sejam mais interpretadas à partir de prerrogativas pessoais que nada tem a ver com a mensagem do interlocutor, mas sim do receptor. Tenho aversão às pessoas que querem interpretar mensagens somente à partir de seu ponto de vista e aqui deixo claro, eu também tenho um longo caminho a percorrer para que minha comunicação seja também eficiente e racional, mas eu pelo menos acredito que isso seja possível e faço minha parte para controlar o sentimento e expressar minhas razões.
Minha vantagem é que sou um bom ouvinte. E ouvir te deixa mais apto a compreender diferentes formas de pensar.

Vamos divulgar ideias que nos ajudem a unirmos uns aos outros. Chega de diferenças inúteis, brigas de ego e hierarquias que martirizam nossos iguais, vamos quebrar padrões e aceitar os outros como eles são. Somos todos seres humanos, racionais o suficiente para saber que enquanto um tem muito, outros passam necessidade e a comunicação é uma das chaves para acabar com essa desigualdade que persiste em nosso mundo. Vamos nos unir, não pelo bem de uns ou de nós mesmos, mas pelo bem de todos!